No Espaço 02/2020

No Espaço

Mar de Espanha ­ MG ­ ANO I ­ Nº 02 ­ Abril/2020

Órgão de Imprensa do Espaço Cultural Falabella

Palavra do Presidente  Por: Rafael Rezende Bertone da Costa       A Gripe Espanhola em Mar de  Espanha     A humanidade está atravessando um  período difícil por conta do vírus (Covid19).  Há  alguns  dias  publiquei  uma  matéria no meu facebook sobre a Gripe  Espanhola  em  nossa  cidade.  Segue  alguns  trechos:    “No livro de registro de ofícios da Câmara  Municipal  de  Mar  de  Espanha,  que  encontra sob a guarda do Espaço Cultural  Falabella,  consta  que  em  meados  de  novembro de 1919, já existiam na cidade  pessoas infectadas pelo vírus. Segundo o  registro:  “Apesar  centenas  pessoas  grippadas estarem ameassados morrerem  faltam  medicamentos  e  alimentação”. Em  11  de  novembro  do  mesmo  ano,  o  Presidente  da  Câmara  envia  ao  Presidente do Estado de Minas Gerais um  ofício  comunicando  sobre  a  gripe  no  munícipio: “Situação Município é das mais  angustias,  devido  invasão  influenza  hespanhola”.  Em  seguida  o  Presidente  alerta:  “O  único  médico  residente  na  cidade  acha  se  de  cama  e  os  dois  pharmaceuticos  sobrecarregados  com  o  serviço  de  visitas  domiciliares,  já  não 
poderão proseguir na humanitária missão.”  E  continua  o  ofício  dizendo:  “Cerca  de  2.000 doentes se acham quase a mingua  de recurso technicos e os casos de morte  começam a se multiplicar.” Por fim, faz um  pedido: “Diante do aumento da epidemia e  appella para a ação de V. Ex. ª. afim de  evitar  grande  mortandade  entre  nós”. Dois jornais do Rio de Janeiro, O PAIZ e  CORREIO DA MANHÃ, publicaram no dia  02 de Dezembro de 1918 notas enviadas  pelo  munícipio:  “A  epidemia  de  influenza  vai  em  franco  declínio  neste  munícipio,  graças á actividade do coronel Schettino,  presidente  da  Camara,  auxiliado  pelo  doutorando  Leite  Oiticica,  enviado  aqui  pelo  governo  de  Estado.” Em  janeiro  de  1919,  tomou  posse  como  Presidente  da  Câmara  o  Sr.  Enéas  Camera, que assumiu em meio ao caos,  encontrando  os  cofres  públicos  sem  grandes quantias de valor. De acordo com  ofício do diretor de Higiene do Município:  “os  obitos  ocasionados  n’este  munícipio  pela grippe, attingiram ao número de 169”. Por  fim,  os  documentos  oficiais  e  jornalísticos não contabilizaram o total do  número de pessoas infectadas e mortas no  município.”     O  Espaço  precisou  ser  fechado.  Voltaremos  em  breve!

Poesia Por: Ana Maria Galo de Vito
A Casa do Rosário

Saudades… Quanta saudade! De um tempo que ficou para trás Dias cheios de encanto E amigos que não voltam mais. Quando amanhecia E o sol brilhante atravessava as janelas para nos acariciar A casa se iluminava Eu tinha vontade de cantar!
Gente simples Hospitaleira E com muitas histórias  para contar… E quando a noite chegava O mandacaru desabrochava  E suas folhas brancas parecendo feitas de cetim Enfeitavam nosso jardim 
Ficaram apenas lembranças De um tempo tão feliz Que eu vivi Foi na Casa do Rosário  Que eu nasci! 

Ontem e Hoje
107 anos de dedicação à Mar de  Espanha


Chegou ao fim a presença das Irmãs em  nossa cidade. Vamos recordar um pouco essa  história? Segue a transcrição de um fragmento  do livro: TERESA MICHEL ­ PERENIDADE DO  EVANGELHO NUM MUNDO EM MUDANÇA.  “Com o passar dos anos, porém, as energias  se  enfraquecem  e  as  viagens,  sobretudo  marítimas,  se  tornam  mais  pesadas.  Madre  Teresa  percebe  isso  perfeitamente  e  inicia  aquela que será sua última viagem além ­mar  para  ter  a  alegria  de  abraçar  uma  vez  mais  suas  filhas  queridas  que  se  encontram  na  América  e  testemunhar,  assim,  sua  gratidão  pela última realização delas: a Casa São José,  para  onde  foi  transferido  o  noviciado,  que  estava na Santa Casa de Misericórdia, fundado  em 1913 em Mar de Espanha (Minas Gerais).  É esse o último e esplêndido fruto de mais um  das  muitas  dificuldades  enfrentadas  pelas  Pequenas Irmãs da Divina Providência e que  poderia  ter  desencadeado  consequências  desastrosas, mas que termina de uma maneira  inesperadamente  feliz.  A  paróquia  dirigida  pelos  padres  de  Dom  Orione,  em  Mar  de  Espanha, facilitou a instalação do noviciado na  Santa  Casa  de  Misericórdia  que  a  Congregação  conduzia  naquela  pequena  cidade. Quando os padres recebem a ordem  de deixar a cidade, deixam sem assistência e 
sem  Missa  as  Pequenas  Irmãs  do  noviciado,  colocando  em  crise.  As  religiosas  se  dirigem,  então,  à  capela  para rezar a São José e, prostradas nos  pés  de  sua  imagem,  imploram  que  sejam  enviados  sacerdotes  ou,  então,  providencie  a  transferência  do  noviciado.  Pouco  depois,  chega  um  telegrama  convocando  a  Madre  Superiora a comparecer à Cúria, onde  recebe a proposta de assistência de um  sacerdote.  A  Madre  Superiora  aceita  com gratidão e, enquanto retorna a Mar  de  Espanha,  encontra  por  acaso  um  grande  benfeitor  da  Congregação,  o  qual lhe comunica que na cidade está à  venda uma casa particular que, a seu  ver, serviria muito bem para acolher o  noviciado.  Como  não  atribuir  a  feliz  solução do problema à intercessão de  São José? Em fins de novembro, a casa  foi  comprada.  Instalado  nela  o  noviciado, recebe o nome de Casa São  José. |Antes de retornar à Itália, no dia 2  de  maio  de  1929,  Madre Teresa  tem,  assim,  a  consolação  de  ver  com  os  próprios olhos o que considera a mais  bela  flor  da  filial  brasileira”.    O Espaço Cultural Falabella lamenta a  saída da Congregação de nossa cidade.  Agradecemos o amor, carinho, trabalho  e dedicação por nossa querida Mar de  Espanha.

CAUSOS
Por: Dalva Soares

Sala de Visita

  Foi  em  uma  de  minhas  catadas  de  coquinho amarelo babão que me perdi no  tempo,  entretida  na  escolha  dos  mais  maduros, e me surpreendi com o barulho  das luzes se acendendo no jardim. Já era  noite, e com isto a descoberta: pessoas  passeavam de cá para lá e de lá para cá.    Os bancos tomados. Todos ocupados.  O  jardim  fervia,  fervilhava,  entravem  ebulição,  explodia  em  um  frenesi  alucinante no movimento para seus vários  lados. Podia chover pedra, fazer frio, calor  ou  o  que  fosse,  que  a  presença  era  constante.     O  meu  desejo  maior  era  frequentar  aquele  lugar.  Comecei  a  frequentar  a  missa, para depois dar umas voltas no  jardim, e enquanto as pessoas davam uma  volta  eu  dava  logo  duas.  Chegava,  passeava, olhava, vigiava,acompanhava,  fiscalizava,apreciava… Eram olhos para todo lado, olhos que vi  sim, e assim: curiosos, espantados,alegres,  acabrunhados,  revoltosos,  iluminados,  inocentes  e  coerentes,profundos,  zombeteiros,  insistentes,  indecentes…  Olhos  cinzentos,  marrentos,  sisudos,  confusos, eu não julgo. Olhar de peixe 
morto, olhar ciumento, certeiro,besteiro. Olhar  que traz conforto, olhar zangado, cansado,  maroto, comprido, insinuante, constante, o  rabo do olho, o olhar de esgueio. Olhar que  diz feliz. Olhar que cura, censura, mistura.  Olhar que pisca e depois disca. Olhar sortudo,  esbugalhado, fascinante, fingido, verdadeiro,  amigável, tímido, estonteante, brilhante, grave  que  entrave.  Tristonho  e  medonho.  Conquistador, merecedor, olhar de lápis de  cor.   Quem não se lembra dos olhos do Conego  Vicente? Parecia zangar coma gente. Os  olhos do Luís? Verdes como os do Dimas e  do Acir. E os olhos da Eny? Ah! Dá vontade  de rir. E os olhos do Sr. Dodô? Que olhar  perguntador! Os olhos do Juquinha de Melo,  parecem ser amarelos. Os olhos da Dona  Efigênia? Contas azuis num corpo negro. Os  olhos  do  Prudente?  Chega  mais  para  perto,minha  gente!  Os  olhos  do  guarda?  Prefiro  sair  na  retaguarda.  Os  olhos  do  Neinho, quando deu adeusinho. Os olhos da  Eloisa? Sempre de bem com a vida. E aquele  olho  pretinho?  Será  que  é  do  Zezinho? Olhar de cima e embaixo/Olhar de baixo para  cima/Olhos pretos de jabuticaba/Olhos verdes  do mar/Olhos azuis do céu/E os olhos cor de  mel?/­ Tá olhando./­ Tá olhando! (Suspiros)/ Olhos  que  vão  e  vem/ E  trazem  notícias  além. (CONTINUA  NA  PRÓXIMA  EDIÇÃO.  AGUARDEM!) 

Coluna Social 

Ocorreu de forma esplêndida o lançamento  do jornal. Contamos com as pessoas mais  distintas de nossa sociedade. Agradecemos a  presença de todos.
> Sr. Eugênio Menegalli completou 100 anos.  Os amigos realizaram uma festa na praça.  Merece nossos aplausos e parabéns! Viva o  Sr. Gininho!   > No dia 08/03 foi a vez de nossa amiga  Cone completar mais um ano de vida. Com  muita música e alegria passou uma noite  agradável ao lado de seus familiares e  amigos. O tema da festa era: #setentou.  Parabéns! 
> Conforme Decreto do Executivo Municipal  nº250/2020, o Espaço precisou fechar as  portas. Voltaremos em breve! > Tivemos a visita das Irmãs Maria Goretti e  Claudia Natal ,comunicando a saída da  Congregação em nossa cidade. O Espaço  possui em seu acervo: documentos, jornais e  fotografias das irmãs que já passaram por  aqui.
> Em tempo de isolamento e de quarentena  as nossas poetisas Adelaide Temponi e Ana  Maria Galo estão escrevendo. Vem coisa boa  por aí.  > Nosso amigo, Sr. Roberto, parabeniza a  iniciativa do Pároco Pe. Anderson, que em  tempo de isolamento está levando a palavra  de Deus nos bairros. De acordo com ele:  “Está sendo comovente e reconfortante”.

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