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Caieira
Histórico
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História da cidade de Mar de Espanha tem seu auge na história
do mármore e seu beneficiamento no Brasil. Muitos imigrantes
vieram para o Brasil e principalmente para Mar de Espanha devido
à semelhança dos mármore encontrado aqui e
o mármore de Carrara - Itália, por sua pureza, por
ser o único lugar onde, ainda hoje é encontrado o
mármore branco. A partir de 1914, o bloqueio do tráfego
marítimo em consequência da guerra provoca escassez
de muitos produtos no mercado brasileiro, como, por exemplo, o mármore,
importado de Portugal e principalmente da Itália. Em 1916,
o industrial marmorista português Carlos da Silva Rocha, estabelecido
no Rio de Janeiro com a Marmoraria Rocha, percorre Minas Gerais
à procura de jazidas de mármores e grandes granitos
destinadas a abastecer seu estabelecimento. Em suas andanças,
chega à Mar de Espanha, onde descobre numa velha fazenda
situada a poucos quilometros do centro da cidade, aquela que seria
considerada a primeira jazida de mármore branco do país,
logo chamado de branco de Mar de Espanha e também de branco
de neve. O achado é auspicioso, pois a jazida está
apenas, a 4 ou 5 quilometros da estrada de ferro de Mar de Espanha,
no caso, a Leopoldina Railway, distante do Rio de Janeiro cerca
de 6 horas de viagem. Entuasiasmo com a descoberta, Rocha adquire
por 20 contos de réis a Fazenda da Caieira, assim chamada
por explorar primitivo forno no qual a pedra calcária era
reduzida a cal. Típica fazenda mineira da Zonda da Mata,
a propriedade tem mais de 60 alqueires de boas terras de cultura
e pastagens, com casarão de 14 quartos, horta, pomar, moenda
de cana e muito mais. Rocha traz do Rio moderno maquinário
para a extração, corte e desbatamento de grandes blocos
(alguns pesavam de 4 a 5 toneladas) cujo transporte até a
estação ferroviária é feito, aos olhos
maravilhados da população local, por um possante trator
Fiat e uma carreta, a reboque, dotados de rodas de borrachas maciça.
O trator é logo chamado pelo novo de cavalo de ferro. Do
Rio, chegam, também operários, peritos em lavrar a
pedra bruta, além de ferreiros, pedreiros, carpinteiros e
telheiros para as obras de construção acelerada de
casas de moradia e galpões. Pessoal esse que, ao fim de pouco
tempo, representa meia centena.
Uma das primeiras providências tomadas pelo empresário
consiste em melhora a velha estrada corrçável de cerca
de 5 quilometros que liga a jazida à cidade preparando-a
para o tráfego pesado do cavalo de ferro. O trecho é
pequeno, sem pontes e quase totalmente nivelado. Entretando, à
entrada da cidade formidável obstáculo se lhe antepara:
o Morro do Alvarenga, difícil de ser transposto pelo pesado
veículo, principalmente na época das chuvas. Rocha
enfrenta o problema. A solução é enxadas e
carrinho tipo caçamba, a obra é atacada por dezena
de trabalhadores braçais e saudada com entusiasmo pelos cidadãos
progressistas. É o talude, a cava alta do Morro do Alvarenga,
cuja fazenda fica mais próxima do centro da cidade. Ia passeando
a pé até a fazenda, passando pela cava alta torna-se
programa de lazer dos mardespanhenses, principalmente dos moradores
do largo do Rosário. As indústrias hoje trabalham
exclusivamente com mármore nacional, e foi o Estado de Minas
Gerais, pela tenacidade de um pioneiro, que demonstrou ao país
que poderíamos ser auto-suficientes neste valioso material
para a indústria de construção civil e para
a realização de monumentos e obras de arte em geral".

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