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O governo português, buscando preservar o monopólio
dos metais e pedras preciosas, não incentivava e, de certa
forma proibia, a penetração na região do Sertões
do Leste mineiro (Zona da Mata). As primeiras penetrações
nessa região, datam aproximadamente de 1784.
A região era habitada pelos
índios Puris, aborígines de cultura rudimentar, nômades,
coletores (não conheciam a agricultura nem a domesticação
de animais).
Em conseqüência do declínio
da mineração inicia-se o desbravamento da Zona da
Mata. Os aventureiros buscavam terras férteis. A área
de interesse econômico deixou de ser as datas de mineração,
e passa a ser as sesmarias a partir de 1818, destinadas à
agricultura, conforme demonstram os registros públicos. Com
o passar do tempo, desenvolve-se a cultura do CAFÉ, o grande
responsável pelo desenvolvimento da região.
Com o objetivo de atender às
necessidades dos viajantes que iam para São João Nepomuceno
Freguesia de São Manuel e dos Rios Peixe e Pomba (Rio
Pomba) , ou vindos da Corte, surgiu uma rancharia na região
da Rua Nova, que se transformou no núcleo do desenvolvimento
urbano de Mar de Espanha.
Em 1840, o arraial possuía
poucas casas (cerca de vinte), e um caminho seguindo a margem direita
do Ribeirão São João, mais ou menos na altura
do local denominado Corta-goela (hoje, Rua Riachuelo).
Entre os sesmeiros destacou-se Francisco
Leite Ribeiro (irmão de Custódio Ferreira Leite),
que fundou as Fazendas dos Alpes e do Louriçal. Esta última,
foi o grande ponto irradiador da colonização da Zona
da Mata. Outro grande sesmeiro, e de especial importância
para a História de Mar de Espanha, foi Custódio Ferreira
Leite, futuro Barão de Ayuruoca. Nascido em 3/11/1758, na
Freguesia da Conceição da Barra (São João
del-Rei) e falecido em 17/11/1782, foi sepultado no cemitério
da Fazenda do Louriçal e seus restos mortais foram transladado
para o cemitério da cidade, na década de 60.
Em 1835, Custódio Ferreira
Leite adquiriu a Fazenda Barra do Louriçal. Homem proeminente,
desbravou e lutou pelo desenvolvimento da região.
Pela Lei 202, de 1841, foi criada
a vila de São João Nepomuceno, desmembrada do Pomba,
com os distritos:
Conceição do Rio Novo
Santíssima Trindade do Descoberto
Rio Pardo (Argirita)
Espírito Santo (Guarará)
Cágado (Mar de Espanha)
São José do Paraíba (Além Paraíba)
Nossa Senhora Madre de Deus (Angustura)
Porto do Santo Antônio (Astolfo Dutra)
Feijão Cru (Leopoldina)
Em 10 de setembro de 1851, pela Lei
n.º 514, graças à interferência e prestígio
do Barão de Aiuruoca junto ao governo, foi transferida a
sede de Vila de São João Nepomuceno para o Arraial
do Cágado que adotou o nome de Mar de Espanha.
Em 27 de Junho de 1859, Mar de Espanha
passa a Município. O mérito do projeto de elevação
da Vila a cidade, cabe ao Deputado Monteiro de Castro. O Município
recém criado, era composto pelos distritos:
São João de Nepomuceno
Conceição do Rio Novo
Santíssima Trindade do Descoberto
Espírito Santo de Mar de Espanha
Piau
Santo Antônio do Aventureiro
Nas décadas de 1840/60 Mar
de Espanha apresentou um grande progresso: possuía vinte
e um sobrados, três edifícios ornados com sacadas de
ferro, comércio ativo, 2000 habitantes na sede e um movimento
de exportação de café na ordem de 300.000 arrobas
anuais. Em 1853, foi construído um prédio para instalação
da Câmara Municipal e cadeia, onde é hoje o Clube Recreativo.
Em 1859 a cidade já possuía 107 prédios registrados.
Principais ruas da época:
Rua Augusta
Rua do Beco
Rua do Café (atual Rua Eduardo Pereira Guedes)
Rua do Comércio (atual Rua Estêvão Pinto)
Rua do Carangola
Rua do Cemitério (atual Laudelino Barbosa)
Rua da Direita
Rua do Desemboque (Rua Antônio Lagrota)
Rua da Estrada
Rua dos Cachorros (Antiga rua das Flores, hoje Rua Miranda Manso)
Rua da Cangalha
Largo da Matriz
Rua Nova (atual rua Major Antônio Barbosa)
Rua da Olaria (antiga Rua do Sapo, hoje rua Floriano Peixoto)
Rua de Santo Antônio
Rua de Trás
Rua Velha
Durante o período áureo do café no Vale do
Paraíba, Mar de Espanha desenvolveu-se e chegou a ter grande
importância na economia da região, sendo citado nas
estatísticas nacionais, como grande produtor do mesmo.
Em 1909, atendendo às exigências
da oligarquia cafeeira local e aos interesses econômicos do
município, foi construída a estrada de ferro ligando
Mar de Espanha a São Pedro do Pequeri, pela The Leopoldina
Railway Company Ltd., de capital inglês. A construção
levou um ano para ser concluída e foi transplantada do antigo
trecho Serraria-Silveira Lobo. A estrada de ferro foi desativada
em 1964, sobre o pretexto de não mais atender aos interesses
econômicos da região e do governo federal, que nessa
época já havia encampado a Companhia inglesa..
A economia cafeeira era mantida,
como em todo território nacional, pelo trabalho escravo.
A partir de 1850, com o fim do tráfico negreiro (Lei Eusébio
de Queirós) começa a chegar no Brasil grande contigente
de imigrantes. Inúmeras famílias de imigrantes italianos
e alemães vieram para Mar de Espanha como: Kaizer, Loth,
Seidler, Milano, Saar, Schneider, Borsatto, Chinelatto, Saramella,
Pullig, etc.
Com o deslocamento da agricultura
cafeeira para o Oeste paulista, a produção do café
no município de Mar de Espanha entra em declínio e
com ela o desenvolvimento da região. A Crise de 1929 acentua
dolorosamente a produção cafeeira e põe fim
a opulência das tradicionais famílias da região.
A "elite agrária" (Barões do Café)
entra em declínio lentamente e vai perdendo o prestígio,
o poder aquisitivo e vêem suas terras sendo adquiridas por
outros.
A crise do café provoca, a
substituição da agricultura cafeeira pela pecuária
leiteira extensiva . As terras antes usadas para o plantio do café
passam a ser usadas para a criação de gado leiteiro.
A queda da produção cafeeira provoca, também,
um excedente de mão de obra na agricultura.
O desenvolvimento industrial de São
Paulo e Rio de Janeiro, a partir da 1.ª Guerra Mundial, juntamente
com a crise agrícola, provoca o esvaziamento do município,
quando grande contigente de mardespanhense migram para as grandes
cidades que oferecem mais oportunidades de empregos e estabilidade.
Paralelo à pecuária
leiteira inicia-se a exploração de recursos naturais
da região: mármore e caolim. Mármore (Caeira,
Vila Tonetti), Caolim (Klabin, na região das Nove Voltas).
O mármore e o Caolim seguiam para a capital paulista via
ferrovia, sendo o primeiro embarcado em grandes blocos, na Estação
de Mar de Espanha. O caolim era embarcado na estação
de Estêvão Pinto.
Na década de 1950, tem início
outra atividade econômica: a lapidação de diamantes,
com capital belga e que, durante muitos anos, teve grande importância
na sociedade mardespanhense. Com o Plano Real, as lapidações
entram em decadência e surgem as malharias. Os operários
para essas formas de produção são oriundos
do meio rural.
Como resultado dessas atividades
econômicasempresariais surgem novos bairros residenciais:
Nossa Senhora das Mercês (Várzea), no início
da década de 60; Jardim Guanabara e Triângulo, nas
décadas de 60 e 70; Monte Líbano e Eldorado na década
de 80; Floresta e Elite na década de 90.
Pouco a pouco, a sociedade, perde
as características de uma sociedade latifundiária
e agrícola, ganhando ares de uma sociedade urbana, empresarial
e operária. |
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